Operação do SIN em 2007
O Sistema Interligado Nacional operou em 2007 dentro dos padrões de garantia estabelecidos nos Procedimentos de Rede. As ações determinadas pelo Operador Nacional e implantadas pelos Agentes Associados proprietários das instalações do SIN permitiram a continuidade do atendimento energético, a segurança da operação elétrica e a minimização dos custos de operação. Desse modo, os resultados operacionais obtidos representam o cumprimento da missão institucional do ONS.
Avaliação da Operação Energética
Os estudos de planejamento da operação procuram avaliar as condições operativas futuras e recomendar medidas para que o suprimento de energia elétrica ao mercado consumidor seja feito sem restrições e com margens de segurança adequadas. Um instrumento básico para essas avaliações são as Curvas Bianuais de Aversão ao Risco – CAR.
Caso os níveis de armazenamento regionais verificados tendam a violar os valores estabelecidos nessas curvas de segurança, são definidas políticas de intercâmbios inter-regionais de energia e adotadas medidas excepcionais de despacho de geração térmica, de forma a aumentar a segurança do atendimento energético.
O ano de 2007 caracterizou-se por uma complexa operação de gestão dos recursos eletroenergéticos disponíveis, com o objetivo de garantir o suprimento dentro das condições técnicas estabelecidas nos Procedimentos de Rede.
Nos primeiros meses do ano, essa operação foi marcada pela necessidade de administrar recursos hídricos abundantes, resultantes de uma estação úmida significativamente favorável em todos os subsistemas que compõem o SIN.
Com os níveis de armazenamento atingindo valores de 95,5% na região Nordeste e 86,7% no Sudeste/Centro Oeste, em relação à energia armazenável máxima, durante o período úmido o Operador implantou ações de coordenação do controle de cheias nos reservatórios das principais bacias hidrográficas do SIN. A operação hidráulica coordenada pelo ONS e efetivada pelos agentes de geração nos reservatórios de aproveitamentos hidroelétricos sob sua responsabilidade teve completo êxito em seus resultados, com o atendimento de todas as condições de vazões máximas estabelecidas em conformidade com a Agência Nacional de Águas – ANA, nas regiões Nordeste e Sudeste, em particular na bacia do rio Paraná, em que se verificou a segunda maior cheia de todo o histórico de 77 anos.
Nesse mesmo cenário, também merecem destaque as ações do ONS, em conjunto com os agentes, para o atendimento das restrições hidráulicas de natureza ambiental e as referentes aos múltiplos usos da água.
Com a transição para a estação seca, as condições hidrológicas reverteram-se. Já a partir do mês de maio, nas regiões Nordeste e Norte, as condições hidrológicas foram bastante desfavoráveis. A partir de setembro, também na região SE/CO, houve uma sensível redução das afluências aos aproveitamentos hidrelétricos. Essa situação ainda foi agravada pela necessidade de suprimento adicional de energia para a região Norte, onde duas unidades geradoras da usina de Tucuruí haviam sofrido contingências em seus transformadores, o que as manteria fora de operação por um longo período.
No mês de novembro, na região Nordeste, já se configurava uma situação hidrológica crítica, com a energia natural afluente reduzindo-se a apenas 34,5% da média histórica de longo termo para o mês (MLT), o que representava o pior novembro do registro histórico e com os reservatórios em um acelerado processo de esvaziamento. Na primeira semana de dezembro, com o agravamento das condições energéticas da região Nordeste, o ONS implementou uma série de medidas operativas, estabelecidas no Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico – CMSE. Essas medidas somaram-se às ações para elevação dos intercâmbios Norte/Sudeste e Sudeste/Nordeste, as quais permitiram um incremento de 700 MW no fornecimento à região Nordeste, com a elevação do limite de suprimento para 2400 MW a essas regiões. Desse modo, foram garantidos, ao mesmo tempo, o atendimento dos requisitos de ponta da região Norte e a maximização do suprimento de energia à região Nordeste.
Ainda no final de 2007, o ONS iniciou gestões, em conjunto com o MME, ANEEL, Petrobras, Chesf e Agentes de Geração Térmica da região Nordeste, no sentido de elevar o montante de geração térmica a óleo dessa região, através da antecipação da entrada em operação de 450 MW e do despacho máximo das usinas existentes, com o objetivo de assegurar o pleno atendimento aos requisitos energéticos.
Neste contexto, além da redefinição de limites de carregamento de equipamentos da malha de transmissão, com o ajuste de seus parâmetros operativos, foram flexibilizadas as faixas de operação de unidades geradoras da usina hidrelétrica de Tucuruí e realizada a implantação de toda uma logística de suprimento de combustível para viabilizar o despacho de usinas térmicas a óleo nos estados do Piauí, Ceará, Pernambuco e Bahia, a partir da segunda quinzena de dezembro, para atendimento à segurança energética do SIN.
Ao final de 2007, ainda sem uma mudança das condições climáticas, os níveis de armazenamento observados nos subsistemas que compõem o SIN, em percentual da energia armazenável máxima, foram os seguintes: na região SE/CO, 46,2%; na região Sul, 72,7%; na região Nordeste, 26,6% e na região Norte 30,1%. Embora esses valores fossem superiores aos níveis de armazenamento indicados nas Curvas Bianuais de Aversão ao Risco das respectivas regiões, o atraso do período úmido resultou na decisão de despachar geração térmica das regiões SE/CO e Sul, já no início de 2008.
Do ponto de vista da integração energética com os paises da América Latina, o Brasil forneceu energia aos sistemas elétricos do Uruguai e da Argentina. Este suprimento teve caráter interruptível, sendo efetuado através de energia vertida turbinável e/ou geração térmica não despachada para atender ao mercado brasileiro. O atendimento ao sistema elétrico argentino foi efetuado no período de maio a agosto, enquanto que, para o sistema uruguaio, esteve disponível durante todo o ano.
A Operação Elétrica e a Segurança Operativa do SIN em 2007
Ao longo de 2007, o ONS desenvolveu estudos e implantou medidas operativas que possibilitaram à operação da rede elétrica atender aos critérios de continuidade, confiabilidade e qualidade de suprimento estabelecidos nos Procedimentos de Rede. Entre esses trabalhos, merecem destaque:
- As providências que introduziram melhorias no processo de recomposição do sistema, visando a agilizar a sua normalização na ocorrência de perturbações;
- A otimização dos sistemas de controle das unidades geradoras das usinas de Paulo Afonso, Xingó e Luiz Gonzaga, que contribuíram para elevar o intercâmbio da região Sudeste para as regiões Nordeste e Norte.
- A concepção e implantação de novos Sistemas Especiais de Proteção e Controle – SEP, assim como a revisão de existentes, tendo-se alcançado um total de 307 desses sistemas já instalados no SIN.
Os dois últimos trabalhos mencionados são fundamentais para minimizar as conseqüências para o SIN decorrentes de perturbações, evitando a propagação do distúrbio e reduzindo os montantes de rejeição de carga.
O resultado direto dessas ações pode ser constatado pelo desempenho verificado do SIN em algumas contingências, nas quais a correta atuação dos sistemas especiais de proteção permitiu restringir os efeitos das perturbações. São exemplos dessa atuação as duas ocorrências verificadas em 2 e 18 de outubro de 2007: a primeira envolvendo a perda dos circuitos 1 e 2 da linha de transmissão Gurupi-Miracema, e a segunda com a perda dos circuitos 1 e 2 da linha de transmissão Serra da Mesa-Gurupi, ambas em 500 kV. Nos dois casos, houve abertura das interligações Norte-Sudeste e Sudeste-Nordeste. A atuação do Esquema de Alívio de Carga (ERAC) resultou em cortes automáticos programados de carga, que minimizaram os efeitos da perturbação, evitando colapso sistêmico.
A melhoria da segurança no atendimento elétrico alcançada em 2007 é traduzida pelos indicadores de desempenho do SIN. Com relação ao número de perturbações ocorridas e seu efeito para o atendimento aos consumidores, vale destacar que, do total de 2119 perturbações, em apenas 319 ocorrências (15,0%) verificaram-se cortes de carga. Esse percentual é mais baixo que os 16,5% registrados no ano anterior.
Vale destacar que uma quantidade ainda menor dessas perturbações (apenas 68 no ano ou 3,2% do total) correspondeu a desligamentos superiores a 100 MW, o que equivale ao consumo de uma cidade como Nova Iguaçu (RJ) ou Farroupilha (RS).
Outro bom exemplo desse resultado é o indicador de robustez, pois 96,8% das perturbações ocorridas não resultaram em cortes de carga maiores que 100 MW. Esses indicadores mantiveram-se nos mesmos níveis dos anos anteriores, mesmo levando-se em conta o crescimento da rede de transmissão.
O valor da energia não suprida durante todo o ano, em decorrência de perturbações havidas em 2007, pode ser considerado como não significativo, limitando-se a 0,004% da energia total suprida.
Cabe ressaltar que, para garantir a segurança do suprimento eletroenergético durante a realização de eventos de grande relevância, em atendimento à Resolução 01/2005 do CMSE, o ONS implantou, em conjunto com os agentes, medidas especiais de operação que tiveram completo êxito, com destaque para os dias do Carnaval, Natal, Ano Novo e, particularmente, a realização dos Jogos Pan-americanos, de 13 a 29 de julho.
O processo de gestão das intervenções na rede de operação também merece ser destacado, por sua influência na segurança operativa do SIN. Apesar da complexidade e da quantidade de intervenções envolvidas, não foram registradas conseqüências relevantes para a operação do sistema. Ao longo de 2007, de um total de 46.419 solicitações, 29.850 foram referentes a intervenções com desligamento para realização de manutenções nas instalações e integração de novos equipamentos na rede.
Foram também verificadas melhorias na qualidade do serviço de eletricidade, nos indicadores de continuidade do serviço nos pontos de controle da Rede Básica, nos aspectos relativos à forma de onda de tensão observada nas campanhas de medição de harmônicos, tensão nominal e afundamento de tensão, e nas medições reais que apontaram índices cada vez mais aderentes aos estabelecidos nos Procedimentos de Rede.
